Brasil, 2012.
Escuto a
música do meu despertador tocar e levanto um pouco assustada, me sentando sobre
a cama e olhando ao redor confusa tentando acostumar meus olhos com a claridade
que entrava pelas cortinas abertas do meu quarto. Como sempre, esqueci de
fechá-las na noite anterior.
Sai da cama
e fui até o banheiro tomei um banho quente e relaxante. Assim que terminei
caminhei até o closet e vesti uma roupa confortável já que fazia um lindo Sol
esta manhã.
Decidi ir
até a varanda do meu quarto para olhar o mar como sempre faço todas as manhãs,
o dia parecia perfeito, até eu me lembrar que hoje estaria embarcando para
Londres.
Passaram-se
alguns minutos e o Sol ainda estava muito presente no céu, começou a bater uma
leve brisa sobre o meu rosto e isso me fez encolher um pouco com o frio que
senti em minha pele.
Não pude
deixar de pensar que teria que me acostumar com o tempo frio de Londres e que
raramente veria o brilho intenso do Sol. Ouvi meu estômago roncar então decidi entrar
e tomar meu café da manhã.
Enquanto
descia as escadas percebi que a casa estava silenciosa demais. Confesso que
aquele silêncio me deixou um pouco assustada. Andei pela casa toda á procura do
meu pai, mas não o encontrei. Quando cheguei à cozinha havia um bilhete sobre o
balcão:
“JaqueTive que ir para a Alemanha á trabalho. E não poderei ir para Londres com você! Mas fique tranqüila, Katherine e Cibele estarão á sua espera.Te vejo em três dias!Te amo papai”
Já havia me
esquecido dessa maldita viagem e agora... Terei que passar três longos dias na
companhia de Katherine e Cibele.
- Droga! –
disse em um tom audível me esquecendo que estava sozinha.
Tomei café
e subi de volta para o meu quarto. Vesti a roupa que havia separado na noite
anterior e terminei de arrumar algumas coisas na minha mala de mão.
A Deborah
viria me buscar daqui duas horas então me sentei no sofá e fiquei esperando.
Não se
passaram nem 30 minutos e a campainha tocou. Será que é ela?
Assim que
abri a porta me deparei com uma garota de olhos e cabelos castanhos.
Seu cabelo
estava lindo, caindo levemente sobre os ombros e levemente cacheado nas pontas.
Ela vestia
uma calça jeans preta e estava usando seu all star preferido. E não podia
acreditar no que via, em sua camiseta havia uma frase escrita em neon: I Love Justin Bieber.
Sim, era
Deborah, minha morena, louca e fanática por Justin Bieber. A pessoa que me fez ficar
forte após a morte de minha mãe e quem me convenceu a ir para Londres com o
argumento de que eu conheceria um britânico lindo e maravilhoso. Só ela pra
dizer algo do tipo em uma situação como a minha.
- Ainda não
está no horário! – disse olhando o relógio sobre o meu pulso – Está querendo
adiantar a minha partida? – disse indignada.
- Claro... Que
não! Só achei que você gostaria de passar mais um tempo com a sua amiga linda,
gata e maravilhosa – Disse se gabando e jogando os longos fios de seu cabelo
para os lados.
- Claro...
Mais cadê essa amiga linda, gata e maravilhosa – me fiz de desentendia e coloquei
a mão sob os olhos, fingindo que procurava alguém.
- Para de
graça sua palhaça e vamos logo – ela tentou parecer séria mais logo depois riu.
- Ok, me
ajude com as malas
Colocamos
as malas no carro e quando fui em direção ao banco de passageiros, Deborah
chamou minha atenção:
-
Jaqueline, onde você pensa que vai?
- Para o
carro, estamos indo para o aeroporto, lembra?
- Antes
vamos passar o tempo juntas. Ou você prefere ir sem se despedir decentemente de
mim? – ela tentou fazer uma cara triste, mas ficou parecendo que ela precisava
ir urgentemente ao banheiro. Não me contive e comecei a gargalhar alto, todos
que passavam pela rua me olhavam como se fosse uma louca, ela sem entender o
motivo de tanto riso deu de ombros e saiu me puxando pelo braço, para a praia
que havia do outro lado da rua.
- Você é
louca? Me trazer pra praia utilizando uma roupa dessas? Vão pensar que a gente
é louca! – ela só ria.
- Deixar de
ser chata e tira o tênis – dei de ombros e fiz o que aquela louca havia
praticamente me mandado fazer.
E lá
estávamos nós correndo pela praia. As pessoas passavam por nós, apontavam e
sussurravam umas com as outras, coisa do tipo: “Que
loucas” ou “Isso lá é roupa de vir pra praia?”.
Nós
cansamos de correr, então resolvemos sentar próximo as rochas e ficamos
observando o mar. A praia estava linda, como ainda era de manhã havia poucas
pessoas por lá, as ondas do mar se chocavam levemente uma nas outras. O Sol não
estava tão intenso e batia uma leve brisa da manhã sobre nossos cabelos.
Deborah
estava em um silêncio que chegava á ser torturante. Então resolvi quebrá-lo:
- Então...
– disse me virando para olhá-la
- Então o
que? – ela me olhou pelo canto dos olhos
- Como vai
ser as coisas agora?
- Vai ser
como sempre. Te ligarei todos os dias pra contar as novidades como sempre faço!
Nada vai mudar – ela sorriu mais não com muito ânimo
- Ah fala
sério, eu estou indo pra Londres... Londres fica em outro continente não no
outro lado da cidade – eu definitivamente não queria ir. Eu não poderia largar
a Deborah aqui. Ela é como uma irmã pra mim e o fato dela dizer tudo isso de
uma forma tão normal tornava as coisas piores ainda. Era como se ela estivesse
dizendo de uma forma educada que não me queria por perto – Esse pensamento fez
com que uma lágrima escorresse pelo meu rosto, o que eu tenho evitado desde que
soube dessa viagem.
- Jaque,
não chora! Eu sei que as coisas vão mudar, mas, não do jeito que você esta
pensando – ela disse limpando as últimas lagrimas que escorriam pelo meu rosto
- Promete
que nada vai mudar?- ela assentiu – Promete que não vai me esquecer e que eu
sempre serei a sua Sis? E que não vai chamar mais ninguém assim?
- Sim, sim,
sim e sim... Eu prometo – ela disse rindo e me abraçando - Agora para de chorar
e vamos trocar de roupa, porque não dá pra ir ao aeroporto assim néh?
- A nossa
roupa nem ta suja – disse olhando as minhas roupas e a dela para me certificar
- Bem, a
minha não esta, mas não posso dizer o mesmo da sua... – assim que disse isso
ela encheu a mão com areia e despejou sobre a minha roupa e saiu correndo
- Volta
aqui sua bitch! Bella eu vou te mata – me levantei e sai correndo atrás dela
Eu corri
atrás dela por um grande percurso da praia e consegui alcança - lá quando
estava próxima ao mar. Apesar de ser magrinha fiz um grande esforço e á
empurrei para dentro do mar, o que não deu muito certo, já que ela se segurou
em mim fazendo com que eu me desequilibrasse e caísse junto com ela.
O
resultado? Duas loucas totalmente ensopadas e rindo escandalosamente.
- Vamos
logo lá em casa trocar de roupa, desse jeito eu vou perder o vôo – me levantei
e estiquei o braço para que ela se apoiasse em mim para se levantar
- Vamos
então – ela se levantou e saiu andando – Jaqueline vem logo – ela disse quando
olhou para trás e viu que eu não a acompanhava
- Ai, corri
tanto que agora to cansada. Acho que eu to morrendo – fiz bico
- Então
fica aí sua moribunda – saiu andando e me deixou pra trás
- Nossa
você vai deixar mesmo a sua amiga morrer aqui? – fiz a carinha de triste que
ela nunca resiste
- Vem logo
dramática. Eu te carrego – eu subi em sua costa e ela saiu me carregando pela
praia – Ai o que eu não faço pela amiga mais chata desse mundo
- Ah também
te amo sua retardada – debochei
A minha
amizade com a Deborah se baseava em xingamentos, apelidos sem sentido, consolar
uma a outra quando necessário, e ser felizes juntas. Como todas as irmãs fazem.
Eu
realmente iria sentir falta dessa retardada.
Fomos até a
minha casa, trocamos as roupas molhadas e seguimos caminho para o aeroporto.
O aeroporto
estava lotado e muitos vôos estavam atrasados. Cruzei os dedos na esperança de
que o meu também estivesse atrasado para que não precisasse viajar hoje.
Perdi a
esperança quando ouvi a seguinte frase ecoar por todo o local:
“Passageiros
do vôo xxx com destino á Londres dirijam-se ao portão B”
- Pelo
visto esta na hora do adeus! – sem eu nem perceber já havia lágrimas escorrendo
pelo meu rosto
- Isso não
é um adeus, nós vamos nos ver de novo. Então pare de pensar negativamente – ela
me abraçou e também havia lágrimas sobre o seu rosto
- Você tem
razão. Afinal tudo que planejamos para o nosso futuro, tem quer ser feito com
as duas juntas porque sozinhas não haveria graça alguma – dei um meio sorriso e
ela deu outro como resposta – Até mais ver Deborah! – eu á abracei novamente e
ela correspondeu com outro abraço mais forte ainda.
- Até mais
ver Jaque!
Virei-me
para ir até o portão de embarque e quando voltei á olhar pra trás, lá estava
Deborah acenando para mim. Acenei de volta e me virei continuando á caminhar,
mas logo ouvi sua voz e me virei novamente para saber o que ela queria.
- Hey!
Conheça vários britânicos gatos quando estiver em Londres e, por favor, deixe
um pra mim, de preferência que goste de JB – ela disse toda sorridente e logo
depois mostrou a língua
- Não, eu
sou muito egoísta e ficarei com todos pra mim – disse entrando na brincadeira,
sorri e voltei a caminhar em direção ao portão de embarque
Catorze
horas depois...
Peguei
minhas malas na esteira e caminhei pelo aeroporto, olhando para todos os lados
a procura de Katherine e Cibele. Meu pai já havia mostrado fotos delas, então
não seria tão difícil reconhecê-las.
-
Jaqueline? Jaqueline Miller?
- Sim? – me
virei procurando quem me chamava
- Muito
prazer, Katherine Watson! – ela estendeu a mão para me cumprimentar e por
educação retribui o gesto
- Prazer,
meu pai falou muito bem de você e sua filha. Aliás, onde está ela? – Tentei
usar o máximo da educação que havia recebido de meus pais
- Ela teve
que ir fazer uma pesquisa de escola e não pode me acompanhar. Mas com certeza
estará em casa á nossa espera. Vamos?
- Claro!- dei
um meio sorriso e á acompanhei até a saída do aeroporto
- Espere só
um momento, irei buscar o carro – disse e já saiu andando em direção ao
estacionamento que havia ao lado do aeroporto
Passaram-se
apenas três minutos e Katherine já estava de volta. Entrei no carro e seguimos
caminho á minha ‘nova casa’
Passei a
maior parte do caminho em silêncio, só abria a boca para responder algumas
perguntas que ela me fazia. Devo confessar que ela estava fazendo o máximo que
podia para fazer algum tipo de amizade comigo e eu não estava ajudando em nada.
Eu não
gostei nem um pouco da idéia de que meu pai vai se casar e muito menos queria
vir para Londres, se estou aqui é porque não quero deixar meu pai sozinho.
Paramos em
frente á uma bela casa que aparentava ter o estilo das casas inglesas antigas
com alguns toques modernos em sua fachada. Havia um pequeno jardim, muito lindo
por sinal. As arvores tinham as folhas em um tom de verde intenso e as flores
ajudavam á colorir o jardim.
- Bem...
Esse será o seu novo lar – ela disse sorrindo
- Hum...
Legal, você tem bom gosto
Assim que
entramos na casa senti meu corpo ser envolvido em um abraço. Eu acabo de chegar
e já sou abraçada por uma desconhecida. É isso mesmo produção?!
- Prazer
meu nome é Cibele, Cibele Watson – a garota disse ao me soltar de seu abraço
Depois de
ter sido solta de seu abraço pude prestar atenção em sua aparência. Seu cabelo
era loiro com fios longos e seus olhos eram azuis, um azuis bem suave.
Ela era alta e magra, parecia ser uns 10 centímetros mais
alta que eu.
- Erm...
Prazer, Jaqueline Miller – disse estendendo a mão para cumprimentá-la
- Eu posso
te chamar de Jaque? – Cibele perguntou abrindo um enorme sorriso
- Desculpa,
mas Jaque é só para os íntimos
- Ok, vou
te chamar de Jaqueline mesmo – ela deu de ombros e subiu as escadas
Ok admito
que fui ignorante, mas a menina nem me conhece e já vem me abraçar como se
fosse a coisa mais normal do mundo. E agora quer me chamar pelo apelido?
Como havia
acabado de dizer, Jaque é só para os íntimos.
Fui tirada
do meu momento ‘reclame por pensamento’, por que ouvi a voz de Katherine me
chamar:
- Então...
JAQUELINE... - Ela deu bastante ênfase ao dizer o meu nome – me siga vou lhe
mostrar o seu quarto. – dei de ombros e a segui subindo as escadas.
Ela ia
apontando para as portas e dizendo á quem pertencia cada quarto. A casa tinha
no total seis quartos. Um para meu pai e Katherine, um para Cibele, um era meu
e os dois restantes eram para os hóspedes.
Pelo o que
ela havia dito meu quarto seria o que fica á esquerda do quarto da Cibele.
- Agora que
já te mostrei o seu quarto, espero que você se sinta em casa – ela nem esperou
eu responder e se retirou do quarto.
Devo
admitir que o meu quarto era lindo, tinha tudo o que eu gostava e do jeito que
gostava. Havia uma varanda com uma bela vista da rua. Não era aquela vista
linda do mar que eu tinha no Brasil, mas, mesmo assim continuava sendo linda.
No quarto
havia uma cama de solteiro, em um canto havia uma escrivaninha e um
guarda-roupa embutido em uma das paredes. Na parede onde estava a escrivaninha,
havia um mural com algumas fotos que havia no mural do meu antigo quarto.
Acho que a
única diferença entre esse quarto e o antigo são as cores das paredes, que
estão pintadas de violeta.
Deixei
minhas malas sobre a cama, arrumaria minhas coisas mais tarde. Decidi sair e
dar uma volta pela cidade. Não iria adiantar nada ficar isolada no quarto
esperando pelo dia em que o meu pai viria para Londres.
Desci as
escadas correndo feito uma retardada como sempre faço. Eu só mudei de país, não
preciso mudar meus hábitos também. Néh?.
Cibele
estava na sala assistindo algo na TV, me aproximei um pouco e percebi que era
Pretty Little Liars. Pelo menos isso temos em comum.
Andei pela
casa á procura de Katherine mas não á encontrei.
- Hm,
Cibele você sabe onde a sua mãe está? – disse enquanto me aproximava do sofá
- É sua
também agora – essa menina ta louca, eu nunca vou chamá-la de mãe, N-U-N-C-A
- Você sabe
ou não onde a SUA mãe está? – disse um pouco irritada
- Ela foi
resolver uns problemas. Precisa de alguma coisa?
- Não, eu
só queria avisar que estou saindo
- Ok, pode
deixar que eu aviso pra ela – ela disse enquanto voltava a prestar atenção na
TV - Ah, pega a chave que está em cima da mesa de canto, é pra você – Cibele
disse sem ao menos me olhar
Peguei a
chave sobre a mesa e sai. Caminhava pelas ruas prestando atenção na arquitetura
das casa e nos jardins.
Avistei um
Starbucks e resolvi comprar um café, no frio que estava fazendo um café iria
muito bem.
Quando
estava saindo do Starbucks esbarrei em alguém e acabei derrubando todo o café
sobre o indivíduo.
- Ai meu Deus
me desculpa, me desculpa – Disse erguendo meu rosto para ver em quem eu
esbarrei
Era um
garoto, ele tinha os cabelos cacheados e os olhos verdes e muito lindos. E
aparentava ter a mesma idade que eu, no caso 17, ou até mesmo 18 sei lá. Iria
descrever o seu sorriso, mas ele estava sério e eu acho que isso não era bom.
Fui tirada dos meus pensamentos por alguém que estava gritando comigo... Era o
tal garoto.
-VOCÊ É
LOUCA? OLHA O QUE VOCÊ FEZ COM A MINHA CAMISETA! – Ele disse (lê se gritou) me
fuzilando com os olhos
- EU JÁ
PEDI DESCULPAS. E A SUA CAMISETA É ESCURA SE LAVAR SAI E NEM FICA MANCHA –
disse no mesmo tom de voz que ele. Tudo bem que ele era lindo mais ele está
gritando comigo e eu não vou deixar barato
- o
problema é que essa é a minha camiseta preferida, e agora eu estou todo sujo
sua DEMENTE!.
- gritar
comigo é uma coisa, agora me insultar por causa de um pequeno descuido? Quer
saber FODA-SE você e a sua camiseta! Tchau!
Sai andando
e deixei o garoto parado em frente ao Starbucks e com a camiseta suja.
Apesar da
ignorância daquele idiota, consegui conhecer vários lugares legais em Londres. Resolvi
voltar pra casa porque já era quase hora do jantar.
Enquanto
caminhava em direção á casa, consegui ouvir as vozes de Cibele e Katherine...
Espera... Consegui ouvir outra voz e me parecia muito familiar. Deve ser só a
minha imaginação, retirei me dos meus pensamentos e abri a porta.
Eu não
acredito no que estou vendo. O que ele está fazendo aqui? Sério alguém lá em
cima definitivamente não me ama.
- Véi na
boa, eu sou a pessoa mais azarada do mundo...
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Essa é a minha primeira fic e gostaria de saber a opinião de vocês!
Me digam pelos comentários ou pelo twitter @I_wantyouNiall
Bjuh Cenourinhas e Batatinhas

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